Chegamos!
Ai que saudade de meu espaço de desabafo!
Tá difícil!
Muitas correrias, investimento fisico e desgaste mental, mas agora as coisas estão começando a caminhar.
Estamos trabalhando para divulgar o trabalho do maridão para todo o Brasil (e o mundo também...hehehe) e por isso peço a ajuda de vocês que passam por aqui e me acompanham.
Acessem: clebermassao.com e clebermassaoblog.com e divulguem, divulguem, divulguem pleaaaaase.
Agradeço de coração!!!
junho 01, 2011
março 23, 2011
Pesadelo
Resolvi re-postar esse texto que escrevi meses atrás porque eu tive esse sonho várias vezes nos ultimos meses...
Não foi da forma aterrorizante como ele ocorreu nesse dia, mas eu tive o mesmo sonho, com agua inundando tudo, eu perdendo e reencontrando meus filhos...
Eu não me lembrava dos detalhes, fiquei passada agora que reli o texto! (O.O)
No dia do terremoto (11/03) eu acordei de madrugada e tive uma sensação de tremor, lembrei do terremoto de Kobe porque dias antes eu assisti o documentário que contava toda a história do porque morreram tantas pessoas.
Me comovi com a historia de uma mãe que não pode socorrer o filho no quarto ao lado. A casa toda desabou e ele morreu.
Nessa hora orei pedindo a Deus que se houvesse um terremoto ele permitisse que eu estivesse junto a meus filhos para poder protege-los e na hora do tremor estávamos juntos em casa.
Eu achava que tinha um sexto sentido aguçado, agora estou realmente acreditando no meu sexto sentido! (O.O)
**************************************************************************
Texto original postado em 13/11/2010
Acordei as 3:30 da manhã rezando uma ave-maria e agradecendo a Deus pela vida dos meus filhos.
Não foi da forma aterrorizante como ele ocorreu nesse dia, mas eu tive o mesmo sonho, com agua inundando tudo, eu perdendo e reencontrando meus filhos...
Eu não me lembrava dos detalhes, fiquei passada agora que reli o texto! (O.O)
No dia do terremoto (11/03) eu acordei de madrugada e tive uma sensação de tremor, lembrei do terremoto de Kobe porque dias antes eu assisti o documentário que contava toda a história do porque morreram tantas pessoas.
Me comovi com a historia de uma mãe que não pode socorrer o filho no quarto ao lado. A casa toda desabou e ele morreu.
Nessa hora orei pedindo a Deus que se houvesse um terremoto ele permitisse que eu estivesse junto a meus filhos para poder protege-los e na hora do tremor estávamos juntos em casa.
Eu achava que tinha um sexto sentido aguçado, agora estou realmente acreditando no meu sexto sentido! (O.O)
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Texto original postado em 13/11/2010
Acordei as 3:30 da manhã rezando uma ave-maria e agradecendo a Deus pela vida dos meus filhos.
Tive um pesadelo horrível!
Daqueles que a gente sente que é real.
Eu estava com meus pais e uma forte chuva começava, eu ficava só observando por cima do muro da casa deles.
Parei de olhar por um minuto e quando volto o olhar vejo que uma onda enorme invadiu a cidade, uma agua muito suja...
Eu só tenho tempo de pegar o Rafael e minha outra filha (que no sonho é minha irmã n.4).
Meus pais somem e corro para perto de um corrego onde a agua cai e segue, sem me atingir.
Eu olho para trás e vejo tudo devastado, muita gente morta e penso: Deus levou meus filhos, meus três filhos e agora só tenho o Rafa e o bebe da barriga (a minha filha/irmã sumiu).
Eu volto para trás quando a chuva cessou e vejo as pessoas ajudando umas as outras, a prefeitura limpando, os serviços de atendimento médico e muita, muita, muita gente morta no meio da sujeira.
Só consigo chorar e rezar e pedir que Deus me dê forças para aceitar a perda dos meus pequenos, mas como me dói no peito.
O Rafa nisso tudo está tão calmo, tão tranquilo. Ele é quem segura na minha mão (Rafael significa anjo da cura) e eu sinto através dele paz naquele momento de desespero tão profundo.
De repente aparece uma mulher com a Ana no colo, toda suja, desmaiada, molhada e palida e eu penso: Tenho que aceitar que ela morreu, meu anjinho...
Quando a pego no colo ela desengasga, solta agua pela boca, e está muito fraca, mas viva! E eu começo agradecer a Deus. E saio correndo no meio daquele monte de gente na esperança de que os outros também estejam vivos e eles estão!
Sarah, (que no sonho é minha irmã n.5), uma outra menina parecida com ela (que também é minha filha) e o Gabriel estão saindo de uma ala de exames médicos, ali no meio da rua, todos sujos, molhados, mas vivos!
Os médicos estavam rezando e eu comecei a rezar junto e louvar a Deus por ter poupado a vida deles, foi quando acordei chorando e rezando...
Geralmente, quando tenho esses sonhos , com agua suja, alguém aqui em casa fica doente, e se tem muita agua suja, é coisa grave.
Eu levantei da cama agora para ter certeza de que não tinha um alerta de tsunami ou algo assim anunciado aqui para o Japão.
Por via das dúvidas, rezar nunca é demais e lá vou eu voltar para a cama, rezar e dormir enquanto Deus me permitir viver nesse mundo junto aos meus amores.
março 20, 2011
Minha vida e minha história...
Em poucas palavras, essa foi minha jornada até aqui...
Em 1964 meu pai com 18 anos foi de Alagoas (Ibateguara) para SP tentar a vida na cidade grande.
Se tornou vendedor de uma barraca de amendoim e com esse trabalho conseguiu trazer seus 18 irmãos e seus pais para São Paulo.
Comprou casa para a familia toda e ajudou todos como pode. Estudou um pouco (1ª a 8ªserie) e virou operario de fabrica quando seu negocio faliu.
Minha mãe nasceu em Mairiporã, sempre viveu pobre, eram em 12 irmãos, meio ciganos-meio nomades, até que conseguiram firmar moradia na cidade de Suzano.
Foi lá que meus pais se conheceram em 1975, namoraram, casaram e começaram minha familia.
Eu nasci em março de 1977, a filha mais velha de 5 irmãos, na cidade de São Miguel Paulista.
Meus pais não tinham casa propria, moravam num unico comodo com banheiro e meu primeiro berço foi uma mala velha.
Quando completei um ano de idade meus pais voltaram a viver em Suzano, proximo a casa de meus avós.
Ali nasceram meus outros irmãos, numa casa de madeira de 2 comodos improvisada por meu pai moramos até que nasceu minha ultima irmã em 1981.
Crescemos com muitas dificuldades, muitas privações, mas o estudo sempre foi a maior cobrança que meu pai fazia para que pudéssemos ter um futuro melhor do que aquele presente que tinhamos.
Eu me formei em colégio publico e logo fui para a faculdade, mas não pude prosseguir com os estudos porque fiquei desempregada.
Em 1999 conheci meu esposo em uma festa popular do bairro onde morava em Suzano e logo começamos a namorar. Nos casamos em 2001.
Consegui um bom emprego numa multinacional espanhola e retomei meus estudos.(técnico de quimica)
Meu esposo é mais jovem que eu e nunca tinha trabalhado no Brasil quando nos casamos (apenas no Japão, no periodo em que morou aqui com seus pais) e foi quando casamos que ele teve seu primeiro emprego em uma empresa de telemarketing.
Em 2002 nasceu nossa primeira filha numa cesarea que foi dificil entender. A explicação foi que ela estava passando da hora (com 41 semanas) e que deveria nascer logo para não morrer, a mim restou a frustração e as perguntas não respondidas.
Em 2003 eu continuava estudando quimica, fiz alguns cursos rapidos paralelos e meu marido continuava com o telemarketing.
No começo de 2004 eu terminei meu curso técnico de quimica e foi quando nasceu nosso segundo filho novamente por cesarea, o que me causou uma depressão horrivel, um processo muito difícil de superar para uma mulher que desejava um parto normal.
Nesse mesmo ano, diante da nossa situação, meu marido achou que seria bom tentarmos o visto para o Japão para termos uma vida financeiramente mais tranquila, mas o visto foi negado. Ele ficou super deprimido por isso.
Em junho desse ano seu pai faleceu de cancer no Japão e ele não pode se despedir.
Foi um período muito dificil para nós e meu esposo ficou quase 1 ano desempregado.
Em Abril de 2005 meu esposo conseguiu um emprego como instalador da NET, onde ganhava um salario minimo mais auxilio transporte. Saia de casa as 5 da manhã e chegava as 10 da noite. Ficou por 6 meses e pediu demissão porque ele estava exausto e estressado com o trabalho e a rotina áridos e decidiu tentar o visto para trabalhar no Japão novamente.
Em outubro eu engravidei de meu terceiro filho e em novembro o visto do meu marido foi concedido.
Em meio as lagrimas e muita tristeza ele veio para o Japão e eu fiquei com meus filhos esperando por ele. Apesar de tudo, era o melhor a fazer.
A ideia inicial era ele ficar por 2 anos, pagarmos as dividas do periodo que ele ficou desempregado e ele retornar com algum dinheiro para comprarmos nossa casa.
Meu terceiro filho nasceu em um lindo parto domiciliar com parteira, mas privado da presença do seu amoroso pai, que infelizmente não pode vir para acompanhar. Foi uma realização, um VBA2C.
Eu lutei muito por aquele parto e me senti realizada como nunca ao me tornar mãe mais uma vez, de forma natural, sem intervenções desnecessárias. Senti-me completa pela primeira vez depois de receber meu filho. Eu o havia parido de verdade, como sempre desejei.
Quando completou 1 ano e meio que meu esposo estava no Japão a saudade batia muito forte e ele não tinha previsão de voltar definitivamente porque não haviamos conseguido quitar tudo ainda, então foi me visitar no Brasil e engravidei da quarta filha.
Ele ficou 40 dias no Brasil e voltou para o Japão.
Foi uma época muito dificil novamente em que quase nos divorciamos, mas decidimos que se queriamos o melhor para nossa familia, deveriamos ficar juntos e passar pelas dificuldades juntos.
Arrumei tudo que pude, pedi demissão de meu emprego e tentei meu visto com o dos meus filhos e conseguimos embarcar para o Japão em 16 de março de 2008, quando eu estava gravida de 35 semanas. Era uma escolha muito ousada, mas eu queria a minha família unida outra vez.
Foi um alivio estarmos juntos novamente, podermos partilhar o dia a dia, as crianças curtirem o pai e ele finalmente curtir todos nós.
Minha bb4 nasceu no aconchego de nosso lar num parto entre mim e o marido apenas, e foi uma experiencia extremamente maravilhosa que fez com que nosso laço de amor se fortalecesse. Por telefone e internet, amigos, amigas e profissionais do Brasil me ajudaram a enfrentar um dos desafios mais fortes que me propus. Não recomendo o parto desassistido, mas esta era minha única possibilidade na ocasião.
No inicio de 2009 começou a crise no Japão e o salario bom que meu esposo recebia caiu pela metade.
Passamos por periodos dificeis e viviamos com cestas basicas de amigos por muitos meses.
Economizamos tudo quanto podiamos.
Não pudemos receber a ajuda do governo japones para voltar ao Brasil porque meu marido não chegou a ficar desempregado. (a ajuda era só para desempregados)
Eu me tornei blogueira e atraves do blog Materna Japão comecei a ajudar mães brasileiras do Japão com questões relacionadas a parto, amamentação, humanização no nascimento e maternidade ativa. Muitas pessoas passaram a se beneficiar por este empenho, um trabalho que faço com muito carinho, porque foi com muito carinho também que fui acolhida pelas pessoas que lutam pela humanização do nascimento no Brasil. Ganhei muitas amigas virtuais e presenciais e pude ajudar e ser ajudada com questões relacionadas a maternidade e do dia-a-dia no Japão.
Entre 2009 e 2010 meu marido começou estudar fotografia por conta própria.
Fez alguns workshops, comprou uma maquina fotografica, começou a participar de foruns, assistir documentarios e ler livros e se apaixonou pela profissão. Decidiu que faria dela sua nova paixão e que investiria tudo o que pudesse para que voltassemos ao Brasil para recomeçar nossa vida com esse trabalho.
Eu estudei japones e fiz curso de doula em 2010.
A previsão para melhorar as condições financeiras no Japão eram para segundo semestre de 2011.
Em maio de 2010, aconteceu uma nova gravidez. Tudo correu bem com a gestação e decidi ter um novo parto desassistido, mas dessa vez com transmissão ao vivo pela internet. Queria mostrar para as pessoas do mundo que um parto é um processo natural e trabalho de parto não é um terror como muitas mulheres pensam. Queria oferecer às outras mulheres a oportunidade de refletir sobre o trabalho de parto, o parto e a beleza de nascer naturalmente.
Minha bb nasceu em 26 de fevereiro de 2011, linda e saudavel, em mais um parto domiciliar desassistido e transmitido para quase 200 pessoas. Foi novamente uma experiencia incrivel.
O ano começou bem e tinha tudo para melhorar nossas condições economicas, já estavamos planejando retornar ao Brasil até fevereiro de 2012, mas em 11 de março ocorreu o tremor que abalou nossos planos e antecipou questões.
Vimos pela televisão cidades sendo arrastadas pelo tsunami, centenas de japoneses e estrangeiros sofrendo os efeitos do terremoto e do tsunami, impotentes perante umafúria da natureza.
Com os acidentes na Usina de Fukushima, nossas preocupações aumentaram. Pelo grande risco de contaminação radioativa ocorrer conosco e com nossos filhos, porque sabemos que haverá um periodo critico e de mais privações (de alimentação e financeira em geral) e diante de toda a dificuldade que como estrangeiros temos que enfrentar, decidimos voltar e recomeçar nossa vida do zero no Brasil.
O Japão me trouxe coisas boas, sou muito grata pela oportunidade. Mas tenho muito medo do futuro incerto aqui diante da catástrofe que o país vem passando. Não sou covarde, não sou uma pessoa que aproveitou a oportunidade que o Japão me deu e agora vai embora. Sou uma mãe consciente de que estas 5 crianças precisam de segurança e de um futuro mais certo, hoje o melhor para minha família é voltar para nosso país. Sei que será um começo difícil, mas com a ajuda de familiares e amigos que estão se organizando para nos auxiliar, tenho certeza que vamos nos reerguer e ter um futuro feliz no nosso país. Quero terminar meus estudos, quero que meu marido cresça na profissão e que nossos filhos possam contar esta história com orgulho, pois as barreiras que a vida impôs nos levaram a desafios e aprendizados muito ricos.
Em 1964 meu pai com 18 anos foi de Alagoas (Ibateguara) para SP tentar a vida na cidade grande.
Se tornou vendedor de uma barraca de amendoim e com esse trabalho conseguiu trazer seus 18 irmãos e seus pais para São Paulo.
Comprou casa para a familia toda e ajudou todos como pode. Estudou um pouco (1ª a 8ªserie) e virou operario de fabrica quando seu negocio faliu.
Minha mãe nasceu em Mairiporã, sempre viveu pobre, eram em 12 irmãos, meio ciganos-meio nomades, até que conseguiram firmar moradia na cidade de Suzano.
Foi lá que meus pais se conheceram em 1975, namoraram, casaram e começaram minha familia.
Eu nasci em março de 1977, a filha mais velha de 5 irmãos, na cidade de São Miguel Paulista.
Meus pais não tinham casa propria, moravam num unico comodo com banheiro e meu primeiro berço foi uma mala velha.
Quando completei um ano de idade meus pais voltaram a viver em Suzano, proximo a casa de meus avós.
Ali nasceram meus outros irmãos, numa casa de madeira de 2 comodos improvisada por meu pai moramos até que nasceu minha ultima irmã em 1981.
Crescemos com muitas dificuldades, muitas privações, mas o estudo sempre foi a maior cobrança que meu pai fazia para que pudéssemos ter um futuro melhor do que aquele presente que tinhamos.
Eu me formei em colégio publico e logo fui para a faculdade, mas não pude prosseguir com os estudos porque fiquei desempregada.
Em 1999 conheci meu esposo em uma festa popular do bairro onde morava em Suzano e logo começamos a namorar. Nos casamos em 2001.
Consegui um bom emprego numa multinacional espanhola e retomei meus estudos.(técnico de quimica)
Meu esposo é mais jovem que eu e nunca tinha trabalhado no Brasil quando nos casamos (apenas no Japão, no periodo em que morou aqui com seus pais) e foi quando casamos que ele teve seu primeiro emprego em uma empresa de telemarketing.
Em 2002 nasceu nossa primeira filha numa cesarea que foi dificil entender. A explicação foi que ela estava passando da hora (com 41 semanas) e que deveria nascer logo para não morrer, a mim restou a frustração e as perguntas não respondidas.
Em 2003 eu continuava estudando quimica, fiz alguns cursos rapidos paralelos e meu marido continuava com o telemarketing.
No começo de 2004 eu terminei meu curso técnico de quimica e foi quando nasceu nosso segundo filho novamente por cesarea, o que me causou uma depressão horrivel, um processo muito difícil de superar para uma mulher que desejava um parto normal.
Nesse mesmo ano, diante da nossa situação, meu marido achou que seria bom tentarmos o visto para o Japão para termos uma vida financeiramente mais tranquila, mas o visto foi negado. Ele ficou super deprimido por isso.
Em junho desse ano seu pai faleceu de cancer no Japão e ele não pode se despedir.
Foi um período muito dificil para nós e meu esposo ficou quase 1 ano desempregado.
Em Abril de 2005 meu esposo conseguiu um emprego como instalador da NET, onde ganhava um salario minimo mais auxilio transporte. Saia de casa as 5 da manhã e chegava as 10 da noite. Ficou por 6 meses e pediu demissão porque ele estava exausto e estressado com o trabalho e a rotina áridos e decidiu tentar o visto para trabalhar no Japão novamente.
Em outubro eu engravidei de meu terceiro filho e em novembro o visto do meu marido foi concedido.
Em meio as lagrimas e muita tristeza ele veio para o Japão e eu fiquei com meus filhos esperando por ele. Apesar de tudo, era o melhor a fazer.
A ideia inicial era ele ficar por 2 anos, pagarmos as dividas do periodo que ele ficou desempregado e ele retornar com algum dinheiro para comprarmos nossa casa.
Meu terceiro filho nasceu em um lindo parto domiciliar com parteira, mas privado da presença do seu amoroso pai, que infelizmente não pode vir para acompanhar. Foi uma realização, um VBA2C.
Eu lutei muito por aquele parto e me senti realizada como nunca ao me tornar mãe mais uma vez, de forma natural, sem intervenções desnecessárias. Senti-me completa pela primeira vez depois de receber meu filho. Eu o havia parido de verdade, como sempre desejei.
Quando completou 1 ano e meio que meu esposo estava no Japão a saudade batia muito forte e ele não tinha previsão de voltar definitivamente porque não haviamos conseguido quitar tudo ainda, então foi me visitar no Brasil e engravidei da quarta filha.
Ele ficou 40 dias no Brasil e voltou para o Japão.
Foi uma época muito dificil novamente em que quase nos divorciamos, mas decidimos que se queriamos o melhor para nossa familia, deveriamos ficar juntos e passar pelas dificuldades juntos.
Arrumei tudo que pude, pedi demissão de meu emprego e tentei meu visto com o dos meus filhos e conseguimos embarcar para o Japão em 16 de março de 2008, quando eu estava gravida de 35 semanas. Era uma escolha muito ousada, mas eu queria a minha família unida outra vez.
Foi um alivio estarmos juntos novamente, podermos partilhar o dia a dia, as crianças curtirem o pai e ele finalmente curtir todos nós.
Minha bb4 nasceu no aconchego de nosso lar num parto entre mim e o marido apenas, e foi uma experiencia extremamente maravilhosa que fez com que nosso laço de amor se fortalecesse. Por telefone e internet, amigos, amigas e profissionais do Brasil me ajudaram a enfrentar um dos desafios mais fortes que me propus. Não recomendo o parto desassistido, mas esta era minha única possibilidade na ocasião.
No inicio de 2009 começou a crise no Japão e o salario bom que meu esposo recebia caiu pela metade.
Passamos por periodos dificeis e viviamos com cestas basicas de amigos por muitos meses.
Economizamos tudo quanto podiamos.
Não pudemos receber a ajuda do governo japones para voltar ao Brasil porque meu marido não chegou a ficar desempregado. (a ajuda era só para desempregados)
Eu me tornei blogueira e atraves do blog Materna Japão comecei a ajudar mães brasileiras do Japão com questões relacionadas a parto, amamentação, humanização no nascimento e maternidade ativa. Muitas pessoas passaram a se beneficiar por este empenho, um trabalho que faço com muito carinho, porque foi com muito carinho também que fui acolhida pelas pessoas que lutam pela humanização do nascimento no Brasil. Ganhei muitas amigas virtuais e presenciais e pude ajudar e ser ajudada com questões relacionadas a maternidade e do dia-a-dia no Japão.
Entre 2009 e 2010 meu marido começou estudar fotografia por conta própria.
Fez alguns workshops, comprou uma maquina fotografica, começou a participar de foruns, assistir documentarios e ler livros e se apaixonou pela profissão. Decidiu que faria dela sua nova paixão e que investiria tudo o que pudesse para que voltassemos ao Brasil para recomeçar nossa vida com esse trabalho.
Eu estudei japones e fiz curso de doula em 2010.
A previsão para melhorar as condições financeiras no Japão eram para segundo semestre de 2011.
Em maio de 2010, aconteceu uma nova gravidez. Tudo correu bem com a gestação e decidi ter um novo parto desassistido, mas dessa vez com transmissão ao vivo pela internet. Queria mostrar para as pessoas do mundo que um parto é um processo natural e trabalho de parto não é um terror como muitas mulheres pensam. Queria oferecer às outras mulheres a oportunidade de refletir sobre o trabalho de parto, o parto e a beleza de nascer naturalmente.
Minha bb nasceu em 26 de fevereiro de 2011, linda e saudavel, em mais um parto domiciliar desassistido e transmitido para quase 200 pessoas. Foi novamente uma experiencia incrivel.
O ano começou bem e tinha tudo para melhorar nossas condições economicas, já estavamos planejando retornar ao Brasil até fevereiro de 2012, mas em 11 de março ocorreu o tremor que abalou nossos planos e antecipou questões.
Vimos pela televisão cidades sendo arrastadas pelo tsunami, centenas de japoneses e estrangeiros sofrendo os efeitos do terremoto e do tsunami, impotentes perante umafúria da natureza.
Com os acidentes na Usina de Fukushima, nossas preocupações aumentaram. Pelo grande risco de contaminação radioativa ocorrer conosco e com nossos filhos, porque sabemos que haverá um periodo critico e de mais privações (de alimentação e financeira em geral) e diante de toda a dificuldade que como estrangeiros temos que enfrentar, decidimos voltar e recomeçar nossa vida do zero no Brasil.
O Japão me trouxe coisas boas, sou muito grata pela oportunidade. Mas tenho muito medo do futuro incerto aqui diante da catástrofe que o país vem passando. Não sou covarde, não sou uma pessoa que aproveitou a oportunidade que o Japão me deu e agora vai embora. Sou uma mãe consciente de que estas 5 crianças precisam de segurança e de um futuro mais certo, hoje o melhor para minha família é voltar para nosso país. Sei que será um começo difícil, mas com a ajuda de familiares e amigos que estão se organizando para nos auxiliar, tenho certeza que vamos nos reerguer e ter um futuro feliz no nosso país. Quero terminar meus estudos, quero que meu marido cresça na profissão e que nossos filhos possam contar esta história com orgulho, pois as barreiras que a vida impôs nos levaram a desafios e aprendizados muito ricos.
março 16, 2011
A trajédia no Japão e nossos sentimentos
Estamos vivendo dias de luto, incertezas e medo, desde sexta-feira, 11 de março de 2011, quando sentimos o primeiro tremor forte aqui onde moramos.
Meia hora após o tremor que ocorreu as 14:46 acompanhamos pela TV imagens do tsunami invadindo o Japão e ficamos muito comovidos. Parecia surreal.
Algumas cenas ao vivo mostravam carros com pessoas sendo arrastados e nós só conseguíamos sentir impotência e tristeza.
A partir de então, noticias de pequenos tremores seguiram madrugada adentro e o medo de algo maior acontecer era muito grande.
Logo depois, veio a noticia de problemas com a Usina Nuclear e nossa tranqüilidade parcial acabara de vez.
A gente sabe pouco sobre a real situação, sabe que o risco de uma catástrofe é grande, mas sabe como o governo está lidando com tudo de verdade, então só nos resta confiar que estão dando seu melhor.
O governo japonês, como qualquer governo, não quer gerar pânico na população e diz que não ocorreram vazamentos significativos, mas várias mensagens que correm pelas redes nos deixam assustados porque não sabemos de tudo, o que verdade e o que é mentira.
A mídia do Brasil inclusive espalha boatos e faz especulações que só geram mais e mais pânico.
A gente bem que gostaria de voltar para o Brasil, mas em primeiro lugar não temos dinheiro (para pagar as passagens de todos seriam 8000 dolares aproximadamente) e depois tem a documentação da bebezica que ainda nem pudemos dar entrada porque precisaríamos ir para Toquio (todos juntos porque a nenê nasceu em casa) e isso é praticamente impossível nesse momento. Depois tem o fato de que não há 7 passagens aéreas disponíveis para o Brasil nos próximos meses.
Ontem a noite sentimos um novo tremor, bem forte, que ocorreu na região de Shizuoka, que fica há 2 horas daqui e novamente nosso coração se abalou.
Não sabemos como ficarão as coisas a partir de agora: condições de trabalho, se a crise vai piorar, se vai faltar alimentos (porque muita coisa vem de outros estados que foram afetados), se vai faltar água potável, quanto tempo não haverá combustível nos postos, são muitas incertezas.
Eu estou com medo e vejo as pessoas demonstrarem esse medo de varias formas: umas ficam falando piadinhas nas redes, outras ficam o tempo todo “on-line”, outras, como eu, ficam perambulando pela casa sem saber o que fazer, outras vão para a igreja, outras vão embora para o Brasil...
A nós só resta confiar que TODAS AS COISAS CONCORREM PARA O BEM DAQUELES QUE AMAM A DEUS.
Peço a oração de vocês apenas.
Na medida do possível, e quando tiver BOAS NOTICIAS, eu sento aqui e posto.
No mais, não consigo responder a ninguém que está tudo bem, porque não está.
Vou dar “sinal de vida” de vez em quando, mas nada além disso porque são muitas pessoas perguntando a mesma coisa e a tensão não me deixa simplesmente responder.
Mensagem positivas são bem vindas!
beijo
Meia hora após o tremor que ocorreu as 14:46 acompanhamos pela TV imagens do tsunami invadindo o Japão e ficamos muito comovidos. Parecia surreal.
Algumas cenas ao vivo mostravam carros com pessoas sendo arrastados e nós só conseguíamos sentir impotência e tristeza.
A partir de então, noticias de pequenos tremores seguiram madrugada adentro e o medo de algo maior acontecer era muito grande.
Logo depois, veio a noticia de problemas com a Usina Nuclear e nossa tranqüilidade parcial acabara de vez.
A gente sabe pouco sobre a real situação, sabe que o risco de uma catástrofe é grande, mas sabe como o governo está lidando com tudo de verdade, então só nos resta confiar que estão dando seu melhor.
O governo japonês, como qualquer governo, não quer gerar pânico na população e diz que não ocorreram vazamentos significativos, mas várias mensagens que correm pelas redes nos deixam assustados porque não sabemos de tudo, o que verdade e o que é mentira.
A mídia do Brasil inclusive espalha boatos e faz especulações que só geram mais e mais pânico.
A gente bem que gostaria de voltar para o Brasil, mas em primeiro lugar não temos dinheiro (para pagar as passagens de todos seriam 8000 dolares aproximadamente) e depois tem a documentação da bebezica que ainda nem pudemos dar entrada porque precisaríamos ir para Toquio (todos juntos porque a nenê nasceu em casa) e isso é praticamente impossível nesse momento. Depois tem o fato de que não há 7 passagens aéreas disponíveis para o Brasil nos próximos meses.
Ontem a noite sentimos um novo tremor, bem forte, que ocorreu na região de Shizuoka, que fica há 2 horas daqui e novamente nosso coração se abalou.
Não sabemos como ficarão as coisas a partir de agora: condições de trabalho, se a crise vai piorar, se vai faltar alimentos (porque muita coisa vem de outros estados que foram afetados), se vai faltar água potável, quanto tempo não haverá combustível nos postos, são muitas incertezas.
Eu estou com medo e vejo as pessoas demonstrarem esse medo de varias formas: umas ficam falando piadinhas nas redes, outras ficam o tempo todo “on-line”, outras, como eu, ficam perambulando pela casa sem saber o que fazer, outras vão para a igreja, outras vão embora para o Brasil...
A nós só resta confiar que TODAS AS COISAS CONCORREM PARA O BEM DAQUELES QUE AMAM A DEUS.
Peço a oração de vocês apenas.
Na medida do possível, e quando tiver BOAS NOTICIAS, eu sento aqui e posto.
No mais, não consigo responder a ninguém que está tudo bem, porque não está.
Vou dar “sinal de vida” de vez em quando, mas nada além disso porque são muitas pessoas perguntando a mesma coisa e a tensão não me deixa simplesmente responder.
Mensagem positivas são bem vindas!
beijo
fevereiro 23, 2011
Blogagem Coletiva - Pelo Empoderamento Feminino no parto
A partir de hoje, 23 de fevereiro até dia 28/02/2011 (data de minha DPP), convido todas as mulheres blogueiras que acreditam que é necessário Informar e Empoderar para o Parto Natural "de verdade" a participarem dessa Blogagem Coletiva do Blog Empoderando.
Para participar vamos seguir alguns critérios:
1- Colocar a imagem acima na postagem referida
2- Colocar um link direto para o blog Empoderando
3- Postar links de artigos de seu blog ou de outros blogs com temas ligados ao empoderamento e desmistifacação do parto. Por exemplo: mitos do parto normal, empoderamento no parto, intervenções no parto normal hospitalar, falsos motivos alegados para cesarea, sobre a dor do parto, verdades e mentiras do parto domiciliar, etc.
4- Convidar 5 amigas blogueiras para participar dessa Blogagem Coletiva
Abaixo seguem meus links e conto com a participação de todos os seguidores e a divulgação dessa causa.
1- Porque a cesarea PARECE mais segura
2- Falsos motivos alegados para cesarea
3- Intervenções desnecessárias no parto normal hospitalar (mãe)
4- Intervenções desnecessárias no parto normal hospitalar (bebê)
5- Mitos e verdades sobre parto domiciliar
6- Parir com prazer é possível?
fevereiro 22, 2011
Blogando por um mundo Melhor
Gente, que honra receber esse selo e esse elogio da minha querida amiga Thais Saito do blog Vida Verde:
Pensei um tempão e decidi pela minha linda e corajosa amiga Rosana Oshiro, que é ainda mais corajosa, porque está prester a ter seu quinto bebê!Ai que orgulho! ;P
A Rô é minha companheira no Materna Japão. Mulher de muita coragem e vontade. Está agora no blog Empoderando, lutando pela maternidade como ela deve ser: nossa, verdadeira e cheia de amor.
Obrigada Tha!
Embora eu não me ache assim "corajoooosa" como muitos pensam, eu realmente estou tentando mostrar as mulheres que a gente pode fazer o mundo melhor se lutarmos juntas, se nos empoderarmos.
Um beijão e obrigada!
fevereiro 15, 2011
Feliz! xD
Eu não poderia estar mais feliz do que estou!
Me sinto bem, completa, animada!
Vejo as coisas acontecendo a seu tempo, tudo dando certo, bem aos poucos, mas dando certo...
O que mais posso esperar?...
Me sinto bem, completa, animada!
Vejo as coisas acontecendo a seu tempo, tudo dando certo, bem aos poucos, mas dando certo...
O que mais posso esperar?...
Eu tenho fé
E por isso todos os meus sonhos
São puras verdades douradas.
Eu acredito!
Meus olhos são os mesmos olhos
Das fadas das florestas.
Assim vejo as coisas mais simples,
Tão simples como estas,
Como se fossem brilhantes da natureza.
O mundo é maravilhoso.
Eu creio!
A vida é boa para quem acredita.
Pena que poucos percebem
E desta forma não encontram
O ouro que existe na terra
Ou o diamante que brilha em cada alma.
A luz do amor cegou meus olhos
Para o negro do inferno.
Minhas mãos sempre abertas
Recebem a água da chuva
Que purifica meus sentimentos.
Assim sou feliz
E isso não é nada difícil!
fevereiro 07, 2011
Lição do dia...
Não responda uma pergunta antes de ter certeza que ela é uma pergunta honesta.
Para saber se ela é uma pergunta honesta, pergunte 2x antes antes de responder, qual o verdadeiro sentido da pergunta.
Depois disso pode responder, mas tome cuidado porque mesmo assim ainda corre o risco de não ser compreendido com sua resposta. =/
Para saber se ela é uma pergunta honesta, pergunte 2x antes antes de responder, qual o verdadeiro sentido da pergunta.
Depois disso pode responder, mas tome cuidado porque mesmo assim ainda corre o risco de não ser compreendido com sua resposta. =/
fevereiro 05, 2011
O amor, eu e você
Fazem 10 anos que decidimos nos casar, já estávamos juntos há 2 anos...
E você continua aqui do meu lado...
Me faz sorrir, me faz chorar, me faz bem e me faz mal...
Você é meu caminho, meu vinho, meu vício... ;)
Meu parceiro, companheiro, amigo, amante...
Meu marido, esposo, irmão, parteiro, doulo...
Meu fotográfo e pai dos meus amores...
Você me ensina tanto sobre mim, sobre o mundo, sobre nós...
E vamos rumo ao "penta"! huahuauhahua
Não posso deixar de te amar nunca!
O amor, eu e você formamos um laço perfeito!
Te amo sempre!
Tem mais fotos aqui e aqui. ;)
E você continua aqui do meu lado...
Me faz sorrir, me faz chorar, me faz bem e me faz mal...
Você é meu caminho, meu vinho, meu vício... ;)
Meu parceiro, companheiro, amigo, amante...
Meu marido, esposo, irmão, parteiro, doulo...
Meu fotográfo e pai dos meus amores...
Você me ensina tanto sobre mim, sobre o mundo, sobre nós...
E vamos rumo ao "penta"! huahuauhahua
Não posso deixar de te amar nunca!
O amor, eu e você formamos um laço perfeito!
Te amo sempre!
Tem mais fotos aqui e aqui. ;)
janeiro 17, 2011
Insight
Adoro acordar de madrugada e ter "insights".
Agora, bora trabalhar e por o negocio em prática.
Ah! Hoje é aniversário do meu anjo Rafael.
Dêem uma passada nos anjinhos.
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