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maio 24, 2008

O relato do parto desassistido da Ana

Eis a história de como nasceu a pequena Ana...


Após realizar duas cesáreas desnecessárias e conseguir um parto domiciliar com parteira, me senti totalmente realizada como mãe e mulher. Senti-me completa, empoderada e voltei a confiar no meu corpo que ate então eu pensava que não fosse perfeito para parir.
Sim, meu corpo era perfeito e eu sabia parir, eu só não tinha sido assistida por profissionais competentes que acreditassem em mim, no meu corpo e na capacidade de parir que toda mulher tem.
Quando consegui meu parto natural, meu esposo estava morando no Japão já fazia seis meses, e ele não pode estar comigo na ocasião, então eu lhe disse que ainda teríamos mais um filho para que ele pudesse estar presente no acontecimento mais maravilhoso da vida dessa mãe-mulher-humana: o parto!
Ele riu e disse que pensaria no assunto...

Em Julho de 2007, meu esposo foi me visitar no Brasil e engravidei da Ana...hahahaha
Ele voltou em Setembro ao Japão, e eu fiquei me preparando para ir para junto dele. Juntei os documentos necessários e fiquei aguardando o visto sair para poder viajar.
Durante a preparação para a viagem e a espera, eu busquei vários contatos via e-mail e Internet, para tentar conseguir uma parteira japonesa para me atender no parto em casa, mas não tive êxito. Eu ate pensava que quando chegasse ao Japão poderia ser mais fácil, porém se não acontecesse eu tinha um plano B...
Eu tive um insight através de um relato de parto desassistido, e como boa ariana-romântica que sou, achei a historia perfeita para ser protagonizada por mim e meu esposo.
Achei um site de UNASSISTED em inglês e todo dia visitava para ficar sonhando com o parto da minha filha.
Eu também lia e relia o relato de parto da Meire (eita parto rápido que eu queria tanto), e quando a Mariana teve o parto desassistido planejado, eu li e reli todo o debate que rolou na lista parto nosso sobre o assunto.
Tudo isso e algumas historias na Internet também, me inspiraram de uma forma tão boa, que eu declarei que seria a próxima a ter o parto desassistido.
Mandei um e-mail para o meu marido falando do assunto e pedi para ele pensar na possibilidade.
No dia seguinte nos falamos por telefone e eu lhe perguntei:
- Se eu não conseguir uma parteira para me atender em casa, você me ajuda a ter a nenê em casa num parto UNASSISTED?
Ele me perguntou:
- Você sabe como fazer isso?
Eu disse:
- Creio que sim, basta deixar o corpo agir, você só terá que me ajudar a relaxar, tudo bem?
- Se você acredita que e simples assim tudo bem, eu confio em você...
- Eu tenho algumas duvidas, mas vou mandar um e-mail para minha amiga doula Ana Cris e esclarecer tudo, acho que vai dar certo...
Com a concordância dele eu não precisava de mais nada, apenas continuar acreditando em mim e meu corpo, e também no Criador das coisas perfeitas...
Tudo deu certo com o visto, e viajei para o Japão no oitavo mês de gestação, ou seja, aos 40 minutos do segundo tempo, porque as Cias aéreas quase que me barram para viagem, mas acabaram aceitando a carta do medico dizendo que eu estava apta a viajar.
Chegando ao Japão, fiz contato com as pessoas que poderiam me ajudar a conseguir uma parteira, mas não foi possível. Com a gravidez já tão avançada e também pelo fato de ter tido cesáreas previas minhas chances eram zero.
Nem clínica de parto eu consegui, apenas uma maternidade aceitou me atender, desde que eu cumprisse as regras deles.
Eu tinha como plano A que a nenê nascesse em casa num parto desassistido, apenas entre eu e o marido e as crianças, e o plano B era ir ao hospital caso algo fugisse muito daquilo que eu vivenciei no parto do Gabriel, como por exemplo: alguma dor diferente ou sangramento.
No hospital me atenderam bem, mas tinham exames demais e consultas demais para uma gestante que não tinha problema algum, excesso de zelo eu acho, acabei tendo que fugir de algumas consultas e também tendo que me justificar de todas as formas para não aceitar a internação quando cheguei na 40ª semana.
Quando fiz a ultima consulta, me disseram que se não entrasse em TP ate 28 de abril, eles induziriam o parto, e eu comecei a ficar desesperada, isso foi no dia 23 de abril.
A lista Materna, como sempre, foi minha inspiração e apoio. Quando perguntei sobre até onde poderia ir com o empoderamento, se passasse do dia 28, recebi uma injeção de ânimo: "Continue com o parto desassistido e fique tranqüila, mesmo sem ter plano B!", eu chorei de emoção ao ler essas palavras e sorri, sorri com a alma, de tão feliz e confiante que me senti.
Sim tudo aconteceria perfeitamente, como foi no parto do Gabriel, era só eu me tranqüilizar, e naquele instante eu me tranqüilizei...
Houve uma pessoa muito bondosa e que muito ajudou, um grande amigo virtual, que é japonês mas fala português fluentemente, e que deu-me um grande apoio emocional, fez todos os contatos possíveis para ajudar, nunca vou me esquecer do seu esforço para minha realização. Ele conseguiu conversar com uma parteira da cidade vizinha que fica uns 80km da cidade onde moro, para que ela fizesse um descolamento de membrana no sábado, dia 26, para que o TP começasse.
Eu fui ate sua clinica, e ela, que é um anjo de pessoa (uma parteira-doula que tem olhos orientais tão brilhantes e dóceis que me contagiou com sua ternura) fez o descolamento e me deu ótimas dicas e conselhos para ritmar as contrações e ter um TP tranqüilo, tudo isso sem me cobrar um centavo de YEN!
Ela me disse que estava com 4cm de dilatação e que tudo daria certo, e me falou uma palavra que adorei e que guardei durante todo aquele dia e durante o TP: GAMBATE! Que significa: força, coragem!
Na volta para casa, que durou uma hora e vinte minutos de carro, eu já senti duas contrações doloridas e fiquei muito feliz!
Chegamos em casa era perto das 15h, eu tinha uma tonelada de roupa para lavar e fui para a lavanderia que fica a 5 minutos de minha casa a pé, o marido ficou com as crianças.
Quando voltei eram 17h30 e eu fui fazer a janta e depois dar banho nos pequenos.
Depois do banho, jantamos e eles foram ver desenhos, eu passei as ultimas roupas da Ana, separei as primeiras roupinhas que ela colocaria e deixei sobre a mesa da cozinha, junto com o Moises.
Ate ali eu tinha sentindo umas 7 ou 8 contrações um pouquinho doloridas, mas nada que fosse forte o bastante para me fazer parar.
Eram 21 horas e eu fui tomar uma banho quente que durou uns 30 minutos (olha o nível!!!!! hehehehe, mas foi por uma boa causa), chorei e conversei muito com a nenê, falei que estava tudo pronto e que se ela não nascesse, a mamãe teria que ir para o hospital e tudo seria mais difícil para nós, e ela entendeu o recado...
Sai do banho, me agasalhei como aconselhou a parteira, fiz os exercícios propostos por ela durante 40 minutos e as contrações começaram.
Eu coloquei um cobertor elétrico nas costas e fiquei de quatro debruçada sobre a bola de pilates, assistindo um DVD de reggae com meu marido, enquanto ele anotava os intervalos das contrações, elas vinham de 6 em 6 minutos exatos, e estavam bem suportáveis, eu respirava tranquilamente e elas iam embora em 30 segundos. Ficamos contando das 22 ate às 23 horas e ficou assim.
Como achei que fosse demorar para engrenar, resolvi que dormiria um pouco e pedi para o marido ir dormir também, pedi para ele colocar um CD que tinha separado para o TP e me deitei.
Nesse momento a Sarah (minha filha mais velha) começou a chorar e falou:
- Mãe queria que a Ana nascesse logo!
Respondi:
- Ela vai nascer filha!
- Eu que queria acordar e já ver minha irmãzinha...
- Peça ao papai do céu que vai dar certo, ok?
Ela rezou e falou que ia dormir e que queria acordar logo para ver a irmã. Eu concordei, embora não acreditasse que seria assim... Os meninos, nessa hora, já dormiam.
O ritmo das contrações continuou o mesmo, e deitada comecei a ficar incomodada, então resolvi levantar, já era meia-noite.
Chamei o marido, que nesse momento já roncava, para me ajudar e disse que precisaria de seu apoio.
Ate pensei em mandar uma mensagem para a lista, mas no momento que sentei na bola de pilates e liguei o PC, tive uma contração bem forte e resolvi nem entrar na net, só coloquei meu CD para tocar e fiquei de quatro balançando sobre a bola, que era a posição mais confortável e menos dolorida para estar no momento.
Peguei minha imagem de Nossa Senhora de Fátima e foi com ela que me senti amparada pelas mãos maternais de todas as mulheres que me deram força para chegar aonde cheguei, ela com seu olhar carinhoso me doulou durante todo TP.
Também comecei a beber água benta que tinha separado para o parto, acredito muito na fé nesse momento que é de grande espiritualidade. O parto é como um rito de "passagem", é um renascimento mesmo para a mulher! Independente da crença de cada uma, acredito que criar um ritual é muito valido!
Fiquei conversando com meu marido e disse que iria para o chuveiro só na hora que o "bicho pegasse" pra valer...
Nessas contrações que sentia, só respirar devagar já não ajudava muito, eu comecei a ficar com vontade de mudar de posição, então liguei para a AC, minha amiga doula do Brasil, era 1h da manhã.
Ela falou que devia estar na fase latente, 5 cm, e que chuveiro e bola ajudariam, e lá fui eu para o chuveiro, mas não aliviou muito...
Nesse momento lembrei do TP do Gabriel, o chuveiro aliviava tanto, dava uma segurada nas contrações, elas não vinham com tanta força e dava para tomar o fôlego, mas naquele momento, não foi bem assim...

Eu sentia a dor na frente, no pé da barriga, e não nas costas, e na frente era muito ruim...
Nas costas, com massagem, aliviava muito a dor, mas na frente não tinha jeito...

Água quente não ajudava, massagem não ajudava, banheira não ajudava...
O que mais ajudou foi marchar e andar rápido, abrindo as pernas para os lados, como se fosse um caranguejo...huahuahuahuahua
Fiquei 40 minutos no chuveiro e mais uns 20 no nosso "mini-ofurô" e resolvi sair...
Me agasalhei e fiquei com o cobertor elétrico nas costas de novo, mas ai já não conseguia respirar mesmo, as contrações duravam 1 minuto, os intervalos ficaram menores, eu comecei a sentir "a tremedeira", só que bem de leve, e aquele "sono de derrubar elefante" e deitei de lado no chão da sala dizendo para o meu marido segurar na minha mão quando viesse a contração...
Naquele momento me lembrei que podia ser a fase de transição e perguntei para o meu marido se ele achava que era, ele me disse que sim, mas eu achava que não era não...Será que tudo estava sendo tão rápido assim???
Eu cochilava e chegava a sonhar, de tão cansada que me sentia, dai vinha a contração e eu apertava a mão do meu querido. Foram umas 4 ou 5 contrações assim...
Foi ai que me deu um "sirico-tico" e resolvi levantar...
Levantei e começamos a dançar, andar rápido pela casa, como no vídeo da Naoli, Dia de Nascimento, eu balançava a cabeça, as pernas e cantava cada hino de louvor que passava pela cabeça, (os hinos são cantos que me fazem relaxar, e isso ajudou bastante) meu marido me ajudava, me assoprava, contava piada e falava que eu tava indo bem...
Abrir a boca me ajudava a respirar e me envolver com a emoção do momento e me esquecer da dor.
Quando não lembrava de nada para cantar eu dizia para o meu marido: Eu te amo, te amo, te amo, te amo, te amo...
Ele achava que eu falava por falar, mas não, aquilo vinha do fundo do coração, eu o amava por estar ali comigo, por tanta cumplicidade, compreensão, respeito, auxilio (mesmo sem saber ao certo como fazer), pela sua doação naquele momento que ele sabia que era muito importante para mim...
Eu senti que no TP, envolver-se com a emoção faz a gente esquecer da dor, e deixar-se levar pelo amor faz a situação ficar muito mais tranqüila, leve e calma...
Pensar no amor nesse momento me fez muito bem, porque o AMOR é a fonte de tudo, não só o amor de esposos, mas o amor no sentido amplo: amor pela vida, amor pelo Criador, pela natureza e etc.
Quando foi chegando perto das 2:30 e a dor só aumentava, eu comecei a pedir para ir para o hospital, tava à "beira" do insuportável, eu já não sabia em que estágio do TP eu estava, eu sentia medo (porque que a gente esquece que sente isso e que é normal???) eu não conseguia ficar parada, eu tinha vontade de gritar mas não podia, (pelo medo dos vizinhos chamarem a policia) então resolvi ir para a banheira mais um pouco e tentar me controlar...

O maridão tinha toda a paciência do mundo e me dizia:
- Amor, você não quer ir para o hospital, eu sei que você vai me agradecer por não te levar depois, fique calma, você esta indo bem, logo a nenê vai chegar, você vai ficar feliz e vai me agradecer por não ter te atendido.
Mas eu dizia que tava doendo muito e que o fato de não saber em estagio eu estava me deixava com medo, confusa, eu queria gritar, eu queria anestesia, eu queria me livrar da dor logo...
Pedi para ele ligar para AC de novo e explicar como estavam as coisas e pedir auxilio sobre o que fazer para aliviar a dor.
Depois de alguns minutos ele voltou e com um sorriso enorme me disse:
- Boas noticias!!!! A AC falou que não ha nada mais que se possa fazer, e que se você esta sentindo muita dor e porque já vai nascer, que você sabe muito bem disso e que agora e só esperar que vai acontecer rápido.
- Mas amor ta doendo muito, eu não agüento mais, me leva pro hospital por favor, por favor (dizia isso com lágrimas nos olhos e carinha de piedade...hehehe) ele já ia pegando o celular para ligar para a vizinha quando veio outra contração e uma vontade enorme de fazer força...
Ele segurou na minha Mao e começou cantar:
- Paaaaaaaaai nosso que estaaaaaaaais no céu, santificaaaado seja o teu nome... (do Padre Marcelo) - e eu cantei junto com a voz embargada e uma vontade louca de gritar, mas abrir a boca cantando já ajudava muuuuuuuuuuito e depois que passou o pico da contração cantamos:
- Paaaaaaai, meu pai do céu, meu pai do céu, eu quase me esqueci, que o teu amor vela por mim, que seja feito assim!!!
Então eu disse:
- Amor eu tive vontade de força!!! Será que já é o expulsivo???
- É sim amor, eu vi no reflexo da água você se abrindo!!!
Mas a posição de cócoras no ofurô era muito desconfortável, doía demais, mesmo dentro da água que eu pensei que fosse mais tranqüilo...
Meu marido perguntou se eu queria que ele fizesse um toque para ver se já dava para sentir a cabeça dela e eu disse que não, que eu mesma ia fazer...
E não é que nessa hora eu senti a cabecinha dela lá embaixo?!!!
Veio mais uma contração e tentei ficar de joelhos, mas a dor era "punk" dentro da banheira apertada.
Já não era tão ruim como a dor das contrações anteriores, porque quando se faz força, dá um certo alívio, mas ainda doia um bocado.
Depois dessa contração olhei na banheira e vi um pouco do tampão e um &(#$%¨¨& junto...rssssss!!!
Sai da banheira e me enxuguei, e pedi para ele pegar um futon, (um colchão japonês que parece um edredom grosso) lençóis, toalhas, travesseiros e vir segurar logo na minha mão... rssssssss
Ele fez tudo rapidinho e segurou na minha mão na próxima contração, onde a vontade de fazer força continuava...
Vieram mais duas contrações e fiquei na duvida se era mesmo o expulsivo por dois motivos:
1º - O TP tinha sido muito rápido e eu achava que não tinha dilatado tudo, podia estar fazendo força sem ser a hora certa.
2º - Li numa mensagem da lista que quando não está saindo muco ou tampão, significa que a mulher não está dilatando e isso ficou meio confuso na minha mente, porque até então, não tinha saído nada, só um pouquinho do tampão lá na banheira.
Me deitei de lado sobre o futon e falei para o meu marido que ia tentar não fazer força nas contrações, porque achava que não estava na hora, mas foi muito difícil, doía muito sem fazer força, a força era realmente instintiva...
A posição que eu já tinha experimentado e tinha sido mais confortável no parto do Gabriel, era a posição de quatro debruçada sobre travesseiros, sendo que o quadril fica mais elevado que o tronco, e foi assim que eu, "segurando as pernas de uma cadeira que passava por perto naquele momento" e ouvindo as vozes das mulheres que me doularam no parto anterior me dizendo:
- Falta pouco, agora vai nascer, a dor vai passar, sua filha está vindo, força de coco, falta pouco, faça a maior força do mundo, GAMBATE, GAMBATE!!!
Em 4 contrações senti sair a cabeça, não senti circulo de fogo, (assim como no parto do Biel) e nessa hora já não sentia mais dor, só a vontade de ver minha pequena.
Eu disse para o meu marido:
- Calma, na próxima contração sai o corpo. Você consegue colocar o dedo e sentir se o cordão está no pescoço?
- Não, acho que não... Quer que eu tire uma foto para você ver como esta a cabeça dela? (falou com voz de homem assustado)
- Não, não, já esta vindo outra contração! Segura ela, não deixa ela cair!
Senti o corpo dela deslizar para fora e logo virei para ver minha filha, e foi quando levei um susto: Cordão no pescoço e no braço!!!
Tirei as voltas do cordão meio no desespero e falei para o marido pegar as toalhas e o cobertor aquecido.
Ela soltava um catarrinho pela boca e começou a ficar roxa, eu falei: Respira filha, respira, chora filha por favor, chora!!!
Ela deu um grunido e foi ficando corada, soltou mais um catarrinho e gruniu de novo, dai foi respirando, respirando... eram 3:15 da manha...
Foram os 10 segundos mais longos da minha vida, eu enxugando-a, esfregando, rezando e pedindo para ela respirar.

Logo liguei para a AC e não segurei as lagrimas: Nasceu!!! Ela tá respirando e já está coradinha... Então, está tudo bem, né?
- Sim, tudo bem, amamente, descanse, espera sair a placenta, depois me liga para cortar o cordão ok?
E assim fiz, relaxei, beijei, cheirei, depois de 5 minutos ela pegou o peito pela primeira vez e ficou uns 5 minutos mamando, parou e sorriu para mim, nessa hora lembrei do NASCER SORRINDO!

Meu querido me falou que ela nasceu com uma "pele" no rosto e dai foi que me lembrei da bolsa: não rompeu quando nasceu a cabeça!!!
Ela nasceu empelicada e a bolsa só estourou na hora que passou o ombro!!!
O marido começou passar mal e ficou meio bobo depois de tudo, foi tocado pela oxitocina do momento, tirou umas fotos, ligamos para a família no Brasil, me ajudou a deitar e depois deitou no sofá e cochilou enquanto eu curtia a cria e amamentava.
Passados uns 20 minutos do nascimento, a placenta saiu inteira com tudo dentro, bem bonitinho, deu um dó de jogar no lixo... snifff...

Depois de mamar uns 40 minutos, Ana, que estava apenas enrolada na toalha, fez sua primeira obra prima e me deu um banho de meconio...huahuahuahuahuaua
Liguei para AC mas o celular estava fora de área, dai liguei para minha parteira querida VN e ela me explicou como cortar o cordão... o pai não quis cortar e eu mesma fiz o trabalho...hehehe

Tomei banho, dei banho na cria mais nova, e chorei, chorei, chorei de emoção, agradeci mil vezes ao marido por não ter me levado ao hospital, disse para ele o quanto o amava por entender, me respeitar, me conhecer melhor do que eu mesma, me apoiar, segurar nossa filha nos braços logo que nasceu, me ajudar e enfim ele me disse uma frase que nunca vou esquecer: AMAR CONSISTE TAMBEM EM RESPEITAR A ESCOLHA DO OUTRO E APOIA-LO, ACREDITAR NO OUTRO MESMO QUANDO O OUTRO LHE PEDE ALGO QUE VOCE NAO ESTA 100% SEGURO PARA FAZER! ISSO E DOAR-SE POR AMOR!!!

Depois de separarmos a roupa para lavar, separar o "lixo" do parto e eu comer um prato de sucrilhos com leite, fomos para a cama, já eram 6 da manhã.

Meus filhos acordaram assim que entrei no quarto, na nossa cama familiar, e já vieram festejar a irmã que acabara de nascer. Eles ficaram tão felizes, radiantes mesmo!!!
A Sarah então, nem se fala, dizia com um sorriso nos lábios: Papai do céu ouviu minha oração e trouxe minha irmãzinha!!!

Foi lindo esse momento, eu como manteiga que sou, chorei mais um poucão...
Ficamos um pouco na cama e eles logo foram tomar o café da manhã, eu amamentei a cria novamente e adormeci para descansar um pouco...


Mais uma vez: meu Deus, meu Pai, obrigado por essa historia com final feliz maravilhosa!
A todos que me ajudaram a escrever esta historia eu agradeço de coração!!!
Se fosse citar todos os nomes aqui não haveria relato, mas uma lista de mais de 100 nomes com certeza!!!
Vocês sabem que estão no meu coração!
Mas preciso aqui mandar uma abraço especial a Márcia Golz, a Thais Saito, a Ana Cris, ao Daisuke Onuki, a Vilma Nishi, a Michiko Ikegami e um suuuuuuper abraço especial ao meu querido e amado esposo Cleber, que com esse parto renovou nossos votos nupciais, uma semana antes de completarmos 7 anos de casados!

Se você veio ate o blog através do relato, por favor deixe seu recado, e diga o que achou de ler essa experiência. Eu vou gostar de saber...Só não aceito comentários preconceituosos e de pessoas sem informação nenhum sobre parto. Esses serão deletados. Obrigada!

Para mais informações sobre parto humanizado, amamentação e outras coisas da maternidade acesse maternajapao.blogspot.com

Editado em 18/02/2011: E o bebê n.5 vem chegando! Para acompanhar o trabalho de parto e parto ao vivo pela internet acesse meu novo blog: opartoeseu.blogspot.com